Nota de repúdio de técnicos administrativos da FE-UFRJ em resposta ao Prof. Márcio da Costa

7 de outubro de 2016



Alguns técnicos administrativos da Faculdade de Educação se mobilizaram para elaborar uma nota de repúdio em resposta ao texto "Será que vai dar praia?", publicado pelo professor Márcio da Costa no jornal O Globo no dia 25/09/2016. Confira a nota abaixo.

No dia 21/09 lemos, com perplexidade, o e-mail enviado à comunidade acadêmica da Faculdade de Educação-UFRJ pelo prof. Márcio da Costa que, assim como nós, é integrante do corpo social.

No dia 25/09, o mesmo texto foi publicado, como artigo de opinião, no jornal O Globo, o que aumentou nossa perplexidade e indignação. Desde a leitura do e-mail, já nos mobilizamos no sentindo de expressar nosso posicionamento, mas com a publicação do mesmo texto para a população, este posicionamento se tornou ainda mais necessário. Julgamos que cabia uma resposta coletiva, tendo em vista que fomos mencionados como grupo. Desta forma, cuidadosa e democraticamente, trocamos opiniões e produzimos esta nota, que expressa nosso posicionamento.

Tal perplexidade não se deu em virtude de seus questionamentos à decisão da Direção desta unidade acadêmica de suspender as atividades devido à paralisação dos servidores públicos federais, em âmbito nacional, no dia 22 de setembro, embora tenhamos considerado seu posicionamento pouco sensível às situações adversas enfrentadas pela gestão, desde 2015, quando foi necessária a desocupação do Palácio Universitário para obras, nos impondo um estado de dispersão e pouca autonomia, já que a maioria dos espaços utilizados pela Faculdade de Educação está localizada em outras unidades, no prédio da Decania e nos módulos.

Nossa perplexidade se dá por outros aspectos, que decidimos elucidar através desta nota de repúdio:

Causa-nos estranheza e indignação a falta de informação sobre o assunto, demonstrada pelo autor. Por isso, destacamos alguns pontos relevantes:

  1. No dia 22/09, informamos ao prof. Márcio da Costa, por e-mail, que a paralisação foi “fruto” e resultado de assembleias realizadas com os três segmentos representativos da UFRJ, entre a ADUFRJ, o SINTUFRJ e o DCE-UFRJ, sendo ignorado pelo mesmo;
  2. Cabe ressaltar que também cerca de 200 delegados presentes à plenária nacional estatutária da FASUBRA, realizada nos dias 9, 10 e 11 de setembro, aprovaram deflagração de estado de greve, com realização de assembleias pelas bases para elaboração de calendário de lutas em conjunto com outros setores da educação federal;
  3. Por meio do Ofício n. 142/2016, a direção da FASUBRA informou ao Ministério da Educação (MEC) no dia 15 de setembro, sobre a decisão da última plenária nacional da categoria de decretar estado de greve e participação na paralisação do dia 22 de setembro, pelos seguintes motivos:
  4. No dia 22/09, a direção da FASUBRA reuniu-se com a secretária executiva do Ministério da Educação (MEC), Sra. Maria Helena Guimarães de Castro, para tratar dos assuntos listados acima;
  5. Ainda no dia 22/09, chamando de “Dia Nacional de Paralisação”, milhares de trabalhadores realizaram diversas manifestações em todo o país, em forma de paralisações, assembleias, atos e passeatas. O movimento foi liderado pelas principais centrais sindicais do Brasil: CUT, CTB, UGT, Força, NCST, CSP-Conlutas e Intersindical, e pelas entidades que formam as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo;
  6. No Rio de Janeiro foi realizado um ato na Candelária, no final da tarde. Mas, antes, os servidores Técnicos Administrativos em Educação da UFRJ participaram de uma assembleia conjunta e comunitária no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), no Largo de São Francisco, que reuniu os três segmentos ou categorias da comunidade universitária da UFRJ. Após a assembleia, os Técnicos Administrativos em Educação, Professores e Estudantes saíram em coluna para se juntar ao ato na Candelária;
  7. Como resultado dessa paralisação foi realizado um ato conjunto entre a ADUFRJ, o SINTUFRJ e o DCE-UFRJ, com vistas a uma mobilização que extrapole os campi da UFRJ e alcance as universidades de todo o país, por meio da campanha Brasil 2036.
  8. Além disso, gostaríamos de ratificar nosso apoio à decisão da Direção, pois temos plena consciência de que esta foi pautada na impossibilidade de administrar autonomamente os espaços e de garantir condições mínimas de segurança e de funcionamento, e não porque "desprezar deveres elementares e constitucionais, por quem foi designado para cumprir funções estatais, é atividade de risco zero, ao menos até aqui", conforme sugere o professor em seu texto.

    Diante das irônicas perguntas do Prof. Márcio da Costa: "Quanto tempo durará essa festa? Alguém será responsabilizado?", respondemos que não estamos em festa.

    Estamos de luto e em luta, pois a universidade pública de qualidade, que garantiria maior equidade de oportunidades para a população economicamente desfavorecida, parece estar com os dias contados, pelas ideias de privatização em curso.

    Não estamos em festa! Estamos em luto e em luta, porque afirmações levianas e irresponsáveis, que desqualificam a coisa pública, são "sopa no mel" ou “prato cheio”, neste cenário obscuro de desmonte da educação pública.

    No dia 23/09, Não fomos à praia! Trabalhamos, como todos os dias, e também neste dia, ao lado de professores e alunos.

    Não fomos à praia de areia e conchas! Fomos Sim à Praia Vermelha, local de trabalho onde está o Campus da Faculdade de Educação da UFRJ. E lá pretendemos continuar indo, mesmo enfrentando as condições adversas, fruto de graves cortes de verbas para as universidades públicas. Trabalhando e reivindicando, não vamos à praia, vamos à luta por melhorias para a educação pública, laica e de qualidade!

    Saudações,

    Bety Ribeiro Corrêa

    Daiana Fernandes de Faria

    Denise Moraes Gouveia da Silva

    Edilza Maria de Souza Cardoso

    Fernando Cesar de Albuquerque Ferreira

    Joyce Diniz de Abreu Teixeira

    Leonardo Vasconcellos Bragança e Oliveira

    Luciana Gonçalves Mendonça Alencar

    Luiz Claudio Junqueira de Aguiar

    Marcela Moraes de Castro

    Paulo Estevão Medeiros dos Santos

    Poliana Viana Rangel

    Ricardo Augusto Pires Gonçalves

    Rojane Fiedler

    Suely Barreto

    Técnicos Administrativos em Educação
    Faculdade de Educação
    Universidade Federal do Rio de Janeiro