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Complexo e escola básica reforçam elo para formar professores

Texto: Coryntho Baldez

Ilustração: Rodrigo Rocha

Mesmo com os entraves às atividades acadêmicas impostos pela pandemia, o projeto inovador da UFRJ no campo da formação docente avançou para uma nova etapa na virada do ano.

O Complexo de Formação de Professores (CFP) celebrou convênio com a Secretaria Municipal de Educação (SME) do Rio de Janeiro, em 30/12/2020, para fortalecer a formação de professores da rede básica e valorizar a carreira docente.

 

Amadurecida em longo processo de diálogo com a rede pública municipal, a parceria promoverá um conjunto de ações articuladas de formação inicial e continuada, que serão discutidas e planejadas coletivamente entre a Universidade e as chamadas escolas parceiras.

 

O acordo de cooperação configura um marco estratégico para o Complexo, segundo Carmen Gabriel, coordenadora do CFP. “É a formalização de uma parceria que constitui a alma do Complexo, que só tem sentido se estabelecer articulações orgânicas e estáveis com as escolas da educação básica”.

 

Para a professora titular da Faculdade de Educação (FE) da UFRJ, o convênio propicia a crescente institucionalização das relações com as instâncias vinculadas ao ensino básico. E favorece, ainda, a consolidação de um “terceiro espaço” – que reúne universidade e escola em permanente diálogo e interação – com vários tipos de ações formativas.

 

“O que gostaríamos é justamente que esse espaço tenha uma visibilidade maior dos sujeitos que dele participam e das iniciativas desenvolvidas. A nossa cartografia dos percursos formativos, certamente, dará essa visibilidade”, assinalou.

Além disso, ela confia que a parceria permitirá operacionalizar os princípios vitais do Complexo: a horizontalidade, a integração e a pluralidade.

“Professor é formado no chão da escola”

 

A reitora da UFRJ, Denise Pires de Carvalho, disse que o convênio “muito nos orgulha’ porque representa mais um passo do Complexo em direção ao que classificou como o seu principal objetivo: “uma maior articulação entre o ensino superior e o ensino básico no nosso estado”.

 

Com a parceria, ela acredita que a UFRJ e a rede municipal vão aperfeiçoar a formação de professores no ensino básico e permitir aos educadores novas experiências formativas para o exercício do magistério, “seja no Rio de Janeiro ou em outras regiões do país, caso migrem para outros estados”.

Em poucas palavras, Denise procurou resumir a essência da concepção de formação que norteia o convênio: “O melhor professor é aquele formado no chão da escola, porque é ensinando que se aprende a ensinar”.

Para o ex-reitor Roberto Leher, em cuja gestão o Conselho Universitário (Consuni) aprovou por unanimidade a criação do CFP, a assinatura do convênio com a SME é motivo de alegria e boas projeções para o futuro da educação pública brasileira. “A UFRJ está inovando de maneira muito virtuosa o processo de formação de professores em nosso país”, frisou.

Para realçar a importância de uma universidade pública do porte da UFRJ assumir o protagonismo no campo da formação de professores, Leher lembrou que grande parte dos novos licenciandos do Brasil está matriculada em instituições privadas com fins lucrativos.

“Hoje, existem cerca de 640 mil licenciandos em cursos à distância de instituições privadas. Um número imenso, considerando que as universidades federais têm um pouco mais de 1,1 milhão de matrículas”, comparou. 

Para Leher, a atuação articulada do Complexo junto à rede de institutos e universidades federais na formação de professores poderá fazer frente a “essa ofensiva mercantil sem precedentes na área educacional que ocorre no país”.

A representatividade das escolas parceiras

A assessora da Coordenadoria de Educação Básica da SME, Daniele Peres, acredita que o êxito da parceria entre educação básica e universidade possibilita promover “encaminhamentos e ações em prol da política de formação docente, seja inicial ou continuada”.

Ela afirmou que o convênio fortalece a escola como lócus de formação profissional do professor e demais atores desse espaço e lembrou que apenas seis unidades participaram do projeto piloto da SME com o Complexo, iniciado em 2018, e agora ampliado.

“Com a celebração do convênio, passamos para 48 escolas, que atendem à Educação Infantil [creche e pré-escola], ensino fundamental e EJA [Educação de Jovens e Adultos]”, explicou.

Com 29 anos de rede municipal, atuando como professora e em projetos de pesquisa e extensão, Daniele ressaltou ainda que todas as escolas que integram a parceria “têm representatividade nas onze Coordenadorias Regionais de Educação [CREs] da SME”.

Mas, além de unidades de todas as regiões da cidade, outros critérios para a escolha das escolas parceiras – construídos junto com a SME ao longo de três anos – foram levados em conta na elaboração do convênio, segundo a coordenadora do CFP. 

Entre eles, Carmen citou o desejo da escola de “vestir a camisa” do projeto, o histórico da relação com a UFRJ no campo da extensão, pesquisa e estágio, e a necessidade de reunir estabelecimentos de todos os níveis de ensino da rede, evitando qualquer sub-representação.

O convênio incluiu ainda os antigos ginásios vocacionais, um grupo de escolas considerado importante para a rede municipal, de acordo com a coordenadora do CFP.

Esses critérios, segundo ela, não são perenes e nada impede que, no decorrer do período do convênio, com prazo inicial de vigência de dois anos, outras escolas se tornem parceiras.

As escolas produzem saber pedagógico

Os docentes da escola parceira Escultor Leão Velloso, na Pavuna, estão muito esperançosos em relação ao convênio, de acordo com o diretor da unidade, Lenon Santiago Mendes.

O projeto do Complexo, afirmou, fomenta e consolida uma importante rede de troca de saberes e experiências. “O professor é um profissional em permanente processo de formação, já que sua prática precisa estar em conformidade com as transformações e demandas sociais que também se renovam constantemente no mundo”, observou.

No cargo há três anos, Santiago ressaltou que a valorização da sala de aula como espaço não só de reprodução, mas também de produção de conhecimento, é um caminho para ampliar a formação docente.

A escola, segundo ele, é um espaço potente de pesquisa-ação e reflexão sobre a atividade docente e, por isso, lócus importante de formação do professor, junto com a universidade.

Para Santiago, o saber pedagógico também se reproduz e se legitima dentro da escola, portanto, não tem como haver uma formação docente sólida sem valorizar saberes que são frutos dessas vivências.

“Caminhamos no sentido de que a formação do graduando seja mais holística e próxima das realidades vívidas nas unidades escolares”, analisou.

Ana Pollilo, diretora da escola Bolívar, no Engenho de Dentro, também elogiou a chance de cooperação mais estreita entre a universidade e a escola pública aberta pelo convênio.

“A proposta do convênio é a horizontalidade. Nesse caminho, há possibilidade de os laços se estreitarem de forma produtiva e se tornarem muito maiores, uma vez que todos são agentes de formação, informação e de produção de conhecimento”, afirmou.

Ela contou que, desde 2018, a escola vem conversando com a UFRJ e traçando, juntas, os caminhos e as possibilidades de ações formativas que se ajustam melhor ao perfil da unidade.

O projeto do Complexo, segundo Ana, respeita a identidade da escola, por meio não só da escuta ativa, como também da consulta à direção, coordenação e professores.

Além disso, incentiva a criação de novas ideias e o aprimoramento de propostas em execução. “Prova disso, foi a feira virtual de ciências, realizada em parceria com o Projeto Fundão Biologia”, exemplificou.

Por fim, a diretora da escola Bolívar, no cargo desde 2018, salientou que a formação docente no Brasil está distanciada da realidade e, de modo geral, é deficitária.

“Muitos profissionais se graduam e quando chegam às escolas e cursos para trabalhar acreditam que a universidade não os preparou para a docência”, constatou.

Para ela, a proposta do Complexo vai além do estágio regular exigido por lei, ao inserir acadêmicos no cotidiano escolar e proporcionar oficinas aos estudantes e atividades de formação aos professores da educação básica.

“Dessa maneira, práticas e teorias são vivenciadas, possibilitando o aprimoramento da educação básica e científica”, completou.

Pandemia expõe impasses da Educação à Distância

Ilustração: Pixabay

Texto: Coryntho Baldez

A pandemia do novo coronavírus fez explodir o uso de sistemas e aplicativos desenvolvidos para atividades pedagógicas remotas. O fenômeno se acelerou na rede básica de ensino após o Conselho Nacional de Educação (CNE) dar sinal verde, em 18 de março, para a realização de aulas online a partir do ensino fundamental.

Com escolas fechadas pela política de isolamento social, a utilização maciça de ferramentas digitais em substituição às aulas presenciais expôs as insuficiências da Educação à Distância (EaD) no país. Algumas delas são a falta de formação específica para professores e o precário acesso da população a recursos tecnológicos, como computadores e internet de qualidade.

Especialistas temem, ainda, que as políticas oficiais se curvem a interesses de fundações privadas e grandes plataformas digitais para naturalizar o uso da EaD na educação básica após a pandemia. Motivada por uma situação excepcional, a posterior utilização em larga escala da modalidade poderia servir para reforçar uma formação pragmática e acrítica.

Mercado de pacotes educacionais preocupa

Joaquim da Silva, membro do Comitê Permanente do Complexo de Formação de Professores (CFP) da UFRJ, considera que, mais à frente, negócios privados ligados ao mercado educacional podem, de fato, vir a se beneficiar da atual crise de saúde pública.

“Acredito que sim. Sabemos que há o interesse de grandes corporações na venda de pacotes educacionais que prometem, sem cumprir, uma eficiência a toda prova do ensino e da aprendizagem de conceitos”, afirma.

É um interesse, diz, que se alia a outro: o de se reduzir o papel político do professor, o profissional encarregado, segundo ele, de mediar o processo formativo do aluno e que vai muito além da aprendizagem de conceitos.

“Na verdade, o problema não está na EaD, mas no seu uso de forma desvinculada da prática profissional docente em toda a sua amplitude”, analisa Silva, que também é assessor da Pró-Reitoria de Graduação (PR-1) para o CFP.

Anna Thereza, diretora adjunta de Licenciatura, Pesquisa e Extensão do Colégio de Aplicação (CAp) da UFRJ, também vê com preocupação o uso indiscriminado da EaD após a pandemia.

“Creio que o risco sempre existe, sobretudo em um contexto de tentativa anterior de implementação da educação domiciliar e do constante ataque à educação, com corte de verbas e um discurso que muitas vezes demoniza a escola e seus agentes”, condena.

Além disso, acrescenta, é sabido que a iniciativa privada se beneficiaria com o uso da EaD. Ela lembra que algumas secretarias de educação de estados e municípios já adotam programas criados pela Fundação Lemann e pelo Instituto Ayrton Senna, por exemplo.

“Algumas organizações fornecem vídeo-aulas, apostilas e outros materiais que anulam a presença do professor e retiram tanto o protagonismo estudantil quanto a autoria docente do processo de ensino-aprendizagem”, critica Anna Thereza, que integra o Comitê Permanente do CFP.

“A internet foi tudo o que nos restou”

No Rio de Janeiro, a rede estadual anunciou o uso da ferramenta Google Classroom para aulas virtuais, a partir do dia 6 de abril. Já o município do Rio disponibilizou um aplicativo com recursos de apoio pedagógico para os estudantes durante o período de isolamento social

Escolas do Rio de Janeiro estão com as aulas suspensas. Foto Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Tamara Lázaro, coordenadora pedagógica da Escola Municipal Albino Souza Cruz, localizada na comunidade de Manguinhos, considera que a pandemia tornou inevitável o uso de tecnologias virtuais.

“Penso que é imprescindível o esforço para a manutenção do vínculo da criança com a escola e o universo letrado, o que não necessariamente se daria através de aulas virtuais, embora a ferramenta ‘internet’ seja tudo o que tenha nos restado neste momento”, comenta.

Contudo, ela salienta que muitas crianças tiveram o seu primeiro contato com a tecnologia digital na escola. “Falo sob a ótica de uma educadora popular da educação pública”, frisa Tamara, eleita para o Conselho Gestor Intersetorial (CGI) da Fiocruz, que discute Educação, Saúde e Assistência no território de Manguinhos.

“Há alguns anos, tornou-se um pouco mais acessível o uso de dispositivos tecnológicos e da internet. No entanto, não há como dizer que todas as camadas foram atingidas por esse avanço”, destaca.

Segundo ela, uma família que possui apenas um dispositivo eletrônico, com pacote de internet pré-pago, e tem três crianças necessitando de aulas online diárias, não estaria contemplada por uma educação à distância adequada.

Sobre o uso do aplicativo disponibilizado pela Secretaria, considera a iniciativa válida, embora esbarre nas dificuldades elencadas acima. Tamara conta que os gestores e o corpo docente da unidade escolar são os responsáveis pelo diálogo com os responsáveis e a inserção do conteúdo, colocando-se à disposição para as dúvidas dos estudantes.

Professor fazer ‘live’ não resolve

Joaquim Silva trabalha com EaD no curso de licenciatura em Química da UFRJ há mais de 10 anos. Ele diz que a modalidade pode ter um papel muito significativo durante a pandemia, desde que se considerem as suas especificidades.

Joaquim da Silva, do Comitê Permanente do Complexo de Formação de Professores (CFP) da UFRJ. Foto: Jornal da Adufrj

Segundo o docente, a EaD requer materiais com linguagem e estética diferentes daqueles utilizados nas aulas presenciais. As formas de interação com os alunos, afirma, também se dão por outros canais e com outra demanda de tempo: “Não adianta o professor achar que fazer uma ‘live’ resolve o problema”.

O desafio, pelo contrário, é imenso – diz Silva – e exige um envolvimento muito maior do professor, “que precisa ter uma formação básica como docente dessa modalidade antes de se aventurar por ela”.

Já para Anna Tereza, a EaD surge, nesses tempos de pandemia, como um ilusionismo. Tal como o mágico que retira o coelho da cartola, ela afirma que os profissionais da educação tiveram que inventar exercícios, produzir extensas páginas com conteúdos de suas variadas disciplinas, passar a fazer vídeos e forjar uma relação virtual que até então não existia.

“Confunde-se, muitas vezes, a ação de informar com a de produzir conhecimento. Essa última pressupõe uma postura ativa das partes na partilha de ideias, na construção conjunta e na elaboração de proposições às várias inquietações”, analisa.

Professores e profissionais da educação, segundo ela, tiveram que buscar soluções para uma prática que não cabe no virtual.

“No lugar de se entendê-lo como espaço de experimentação, mantiveram-se atividades escolares sob uma mesma estrutura disciplinar e, no caso da educação básica, segmentada por faixas etárias e séries”, critica.

A atual situação exige dos estudantes e das famílias – prossegue – uma reinvenção da rotina escolar fora da escola, o que implica em reinvenção da rotina da casa.

“Uma prima me disse que a filha dela não se interessa pelo conteúdo escolar fora da escola. Ela associa a casa à brincadeira, ao lazer, o que, me parece, é natural”, relata.

Anna Thereza acredita que a EaD utiliza ferramentas que podem ser interessantes na manutenção do vínculo com estudantes durante a pandemia, ou mesmo no decurso do ano letivo, com as aulas presenciais normalizadas.

O CAp, por exemplo, tomou a iniciativa de desenvolver um site interativo para os professores e estudantes: o CAp-UFRJ na Quarentena. O objetivo principal, segundo ela, é estabelecer um espaço de manutenção de vínculo e mútua acolhida diante do contexto de isolamento social provocado pela pandemia. Ele funcionará como uma plataforma de partilha das experiências vivenciadas durante o período de confinamento. (Saiba mais aqui).

Mas, para Anna Thereza, como substituta do ensino presencial, a EaD se torna um problema.  A escola continua sendo para muitas crianças e adolescentes, segundo ela, o local primordial de interação social, onde se deparam com a diferença de pensamento e de formas de ser e estar.

Anna Thereza, diretora adjunta de Licenciatura, Pesquisa e Extensão do Colégio de Aplicação (CAp) da UFRJ. Foto: Arquivo Pessoal

Ela lembra também que a escola é um local, sobretudo, de formação de sujeitos, da prática da escuta, do fomento ao diálogo e do reconhecimento e do respeito ao outro.

“A partir do momento que me vejo frente ao outro, passo a reconhecê-lo enquanto sujeito, e não enquanto avatar”, afirma.

EaD não pode ser usada de forma fortuita

Joaquim Silva lembra que o Complexo de Formação de Professores apoiou o posicionamento da UFRJ em relação à suspensão das aulas e às atividades remotas.

O Complexo endossou a diretriz da Universidade – continua – até por entender a seriedade da modalidade EaD, “que não pode ser utilizada fortuitamente nesse momento já tão complicado”.

Em nota divulgada em 28 de março, o Comitê Permanente do CFP ressaltou que “o calendário futuro seguirá abrangendo o conjunto das licenciaturas e deverá estar em harmonia com o calendário das redes de educação básica”.

Segundo o professor, deve-se, no entanto, avançar no debate sobre o que fazer durante o período da quarentena. Ele defende que toda e qualquer decisão tem que ter por base o princípio da isonomia dos discentes.

“É preciso haver garantias de que todos terão igual acesso ao material e que as adaptações serão feitas considerando as especificidades da realidade de cada um. Não basta almejarmos a igualdade, é preciso promover a equidade ao longo de todo o processo”, completa.

Entrevista da diretora do CAp sobre o site interativo

CAp-UFRJ cria site para manter vínculo com comunidade escolar na quarentena

Texto: Coryntho Baldez

O Colégio de Aplicação (CAp) da UFRJ lançou um site interativo para conectar estudantes, familiares, docentes e técnicos durante a pandemia.

O CAp-UFRJ na Quarentena está online desde 20 de abril e funcionará como uma plataforma de partilha das experiências vivenciadas durante o período de confinamento. Mas não substituirá as aulas presenciais.

“O objetivo é estabelecer um espaço de manutenção de vínculo e mútua acolhida diante do isolamento social”, esclarece Anna Thereza, diretora adjunta de Licenciatura, Pesquisa e Extensão do Colégio do CAp-UFRJ.

Nesta entrevista ao Setor de Cultura, Comunicação e Divulgação Científica e Cultural (Secult) da Faculdade de Educação da UFRJ, ela revela ainda que o objetivo mais ambicioso da iniciativa é criar a compreensão de que “a escola se faz junto, que a escola somos todos nós”.

Secult – O CAp lançou recentemente um site interativo para a comunidade escolar. Qual o objetivo dessa ferramenta?

Anna Thereza – É estabelecer um espaço de manutenção de vínculo e mútua acolhida diante do contexto de isolamento social provocado pela pandemia. Igualmente, ele se apresentará como um espaço de possibilidades pedagógicas, entendendo que a escola vai além das disciplinas curriculares e das divisões por segmentos e séries.

Secult – Como funciona o site?

Anna Thereza – Como uma plataforma de partilhas das experiências vivenciadas durante esse período de confinamento, como a saudade da escola e de seus variados agentes, as novas formas de experimentar o tempo, o espaço e a relação com os outros. Diante disso, acrescentam-se os modos de nos perceber e as possibilidades de nos reinventar.

Secult – Que outros conteúdos serão partilhados?

Anna Thereza – Serão partilhadas, igualmente, páginas e materiais que possam ser interessantes para toda a comunidade escolar durante o momento da pandemia. É uma forma de apresentar sites com informações confiáveis e entrevistas que apresentam outras perspectivas possíveis de mundo.

Secult ­ – O site será um meio de manter o vínculo, mas estará também associado, de alguma maneira, ao conteúdo curricular?

Anna Thereza – A partir de proposições realizadas por profissionais da educação do CAp, o site será um convite à interação para toda a comunidade escolar, por meio da partilha sobre o desconhecido e as novas descobertas ao ficar em casa. Será, principalmente, uma forma de nos aproximar diante do isolamento. Sabemos, no entanto, que nem toda a comunidade escolar terá, infelizmente, acesso ao site. Por isso, as proposições não têm um caráter obrigatório, e tampouco estarão associadas às aulas dadas e que se darão futuramente. Seguimos, em paralelo, buscando formas de nos aproximar das famílias que não possuem acesso à internet.

Secult – Qual a expectativa da direção do CAp em relação ao site?

Anna Thereza – Há várias expectativas. Como trabalho interno inicial, temos o exercício de nos ver enquanto totalidade, algo sempre difícil com a fragmentação do ensino por segmentos e séries e por áreas do conhecimento. Assim, uma primeira expectativa é ampliar nossas possibilidades pedagógicas e a nossa potência com o fazer coletivo.  Temos a expectativa de criar um ambiente amplo de aproximação com estudantes e familiares, normalmente limitado à turma e professores que atuam diretamente com os estudantes. Outra expectativa é nos aproximar enquanto corpo de profissionais da educação. Trata-se de um trabalho realizado por professores e técnicos, algo até então pouco experimentado. Mas sendo os maiores objetivos o diálogo e a partilha com as famílias, e estando aberto à mútua troca, creio que a expectativa mais ambiciosa e principal é criar uma compreensão de que a escola se faz junto, que a escola somos todos nós. Veremos.

(Veja o vídeo de lançamento do site)

PROEDES recebe professor da Universidade de Sevilha

No último mês, o Programa de Estudos e Documentação Educação e Sociedade (PROEDES/FE/UFRJ) recebeu a visita do professor Pablo Alvarez Dominguez, da Universidade de Sevilha, na Espanha. Pablo participou do I Seminário de Prática de Pesquisa do grupo Processos Educacionais e História da Profissão Docente, que aconteceu nos dias 10, 12 e 13 de fevereiro de 2020. O professor trouxe para as discussões falas sobre sua experiência de pesquisa e sobre o trabalho que desenvolve no Museu Pedagógico da Universidade de Sevilha. O Seminário contou ainda com a apresentação das pesquisas desenvolvidas pela professora Libania Xavier e por Janete Trajano, Arlene Amaral e Bete Mansur, alunas do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRJ.

Universidade divulga diretrizes de contingência contra o coronavírus

Texto publicado originalmente no Portal da UFRJ e de autoria de Ana Carolina Correia.

Foto: Artur Moês – Coordcom/UFRJ

O Grupo de Trabalho da UFRJ sobre o Novo Coronavírus se reuniu na última quarta-feira, 11/3, para discutir determinações e recomendações para o enfrentamento da pandemia do coronavírus no âmbito da Universidade. Os especialistas produziram documento com diretrizes sobre as atividades acadêmicas e administrativas da instituição.

Entre os principais tópicos estão a suspensão de atividades extracurriculares, cancelamento de férias de servidores considerados essenciais no combate ao vírus e quarentena para casos específicos.

Durante a reunião, Denise Carvalho, reitora da UFRJ, afirmou que o Rio de Janeiro recebe muitos turistas, e a Universidade realiza muitas atividades que demandam viagens a trabalho. “Temos o tamanho de um município de médio porte, com grande circulação nos nossos campi. É essencial que tenhamos um acompanhamento efetivo”, ressaltou.

Veja a seguir as diretrizes na íntegra (também disponíveis em PDF).

DIRETRIZES DE CONTINGÊNCIA DA COVID-19 NO ÂMBITO DA UFRJ

Recomendações

1. Cancelar viagens não essenciais (dentro do país e para o exterior) de docentes, discentes e técnicos-administrativos até que o panorama se mostre mais seguro.

2. Aos membros do corpo social da UFRJ que tenham retornado de viagens, mesmo que assintomáticos, é indicada quarentena produtiva (14 dias), a menos que razões operacionais importantes exijam sua presença para o enfrentamento da pandemia. Nessa hipótese, os casos devem ser monitorados clinicamente, com condições de trabalho adequadas e, sempre que possível, afastados do contato com pessoas vulneráveis a formas mais graves de COVID-19.

3. Aos membros do corpo social da UFRJ que tenham entrado em contato próximo com casos confirmados, prováveis ou suspeitos, mesmo que assintomáticos, é indicada quarentena produtiva (14 dias), a menos que razões operacionais importantes exijam sua presença para o enfrentamento da pandemia. Nessa hipótese, os casos devem ser monitorados clinicamente, com condições de trabalho adequadas e, sempre que possível, afastados do contato com pessoas vulneráveis a formas mais graves de COVID-19.

4. Mesmo que assintomáticos e em quarentena, retornados de viagens e contactantes próximos de casos confirmados, prováveis ou suspeitos receberão orientações preliminares para permanência no domicílio e deverão utilizar o telefone 136 e o aplicativo Coronavírus SUS, do Ministério da Saúde, em caso de dúvidas e aparecimento de sintomas.

5. Os docentes, discentes e técnicos-administrativos que pertençam aos grupos vulneráveis às formas mais graves (idosos, cardiopatas, pneumopatas, nefropatas, diabéticos, oncológicos e imunossuprimidos em geral), mesmo quando não retornados de viagens, poderão ter modificados o regime de trabalho e a distribuição de atividades acadêmicas, visando minimizar sua exposição ao vírus.

OBS.: no caso de retornados de viagens, deverão ser apresentadas evidências documentais (ou cópias) que comprovem a viagem. No caso de contactantes, deverão ser apresentadas evidências documentais (ou cópias) ou autodeclaração circunstanciada e assinada. Os documentos deverão ser entregues às chefias imediatas e às coordenações de disciplinas.

 

Determinações

1. Suspender todas as atividades extracurriculares como aulas inaugurais, cerimônias de entrega de títulos honoríficos, posses e eventos comemorativos, científicos, artísticos e culturais.

2. Cancelar férias de docentes e técnicos-administrativos quando considerados essenciais para o enfrentamento da pandemia.

Elaborado pelo Grupo de Trabalho da UFRJ sobre o Novo Coronavírus, em 11/3/2020.

UFRJ lança site sobre novo coronavírus

A UFRJ vem desenvolvendo uma série de iniciativas no combate à epidemia mundial da COVID-19, doença causada pelo novo coronavírus surgido na China no final de 2019. Para o acompanhamento da crise foi criado um grupo de trabalho multidisciplinar com pesquisadores da área da saúde a fim de desenvolver ações de orientação, diagnóstico e tratamento de possíveis casos da doença.

Acesse o novo site e conheça os materiais produzidos pela UFRJ, entre eles a cartilha sobre o novo coronavírus.

Professor também aprende na escola? Confira no segundo episódio do Papo no Pátio  

Imagem: Pixabay

Texto: Coryntho Baldez 

A escola como lugar de formação docente foi o tema do segundo episódio do Papo no Pátio, a nova série do podcast da Faculdade de Educação (FE) da UFRJ.

Carmen Gabriel, ex-diretora da FE e uma das convidadas do programa, afirmou que a universidade tem a tarefa de formar professores, mas não pode viabilizá-la sozinha. É algo que precisa ser feito junto com a escola da rede básica”, assegurou.

Para ela, formar professor é inscrevê-lo em sua cultura profissional, o que pressupõe mobilizar os diferentes saberes presentes na universidade e na escola.

Ao falar sobre o Complexo de Formação de Professores (CFP) da UFRJ, do qual é coordenadora, Carmen frisou que a iniciativa busca articular em um espaço comum os diversos sujeitos envolvidos com a formação docente. 

Carmen Gabriel e Daniel de Oliveira no Laboratório de Rádio da Central de Produção Multimídia da ECO. Foto: Gabriel Cid.

O outro convidado do programa foi Daniel de Oliveira, coordenador pedagógico do Centro Municipal de Referência de Educação de Jovens e Adultos (Creja). Ele enfatizou que é na escola que o docente acumula experiências e enfrenta desafios profissionais complexos.  

Oliveira defendeu que o professor assuma o papel de protagonista e reflita sobre sua realidade profissional. “Só assim ele não será um simples reprodutor de conteúdos pré-estabelecidos”, sublinhou.

O segundo episódio do Papo no Pátio está disponível no site do Podcast da Faculdade de Educação ou em plataformas de áudio como SpotifyApple Podcasts ou Castbox.

Papo no Pátio é produzido pelo Setor de Cultura, Comunicação e Divulgação Científica e Cultural (Secult) da Faculdade de Educação. 

 

Visita de professor da Unicamp no PROEDES

Foto: Fernanda Uchoa
Foto: Denise Moraes

No dia 6 de fevereiro, o Programa de Estudos e Documentação Educação e Sociedade (PROEDES/FE/UFRJ) recebeu a visita de André Luiz Paulilo, professor de História da Educação no Departamento de Filosofia e História da Educação da Faculdade de Educação da UNICAMP. Na ocasião, o docente, que atualmente é também diretor do Centro de Memória -Unicamp, apresentou informações sobre as atividades que desenvolve e conversou com a equipe do PROEDES sobre sua experiência nas áreas de memória e história da educação.

Chamadas públicas da Rádio UFRJ

O Núcleo de Rádio e TV da UFRJ está com duas chamadas públicas abertas para participação da comunidade na Rádio UFRJ – emissora universitária dedicada à comunicação pública e educativa. Uma delas prevê a seleção de integrantes do Conselho Curador da Rádio UFRJ, e a outra prevê a seleção, produção e veiculação de conteúdos radiofônicos.

Divulgamos abaixo a matéria do site da Decania do CFCH e os links para os respectivos editais, convocando os interessados da comunidade da FE a participar e a ocupar também este importante espaço de divulgação científica e cultural.

Mais informações aqui.