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Ciclo (Im)permanências: Vulnerabilidade – Diálogos entre artes, humanidades e mudanças climáticas

Matinê Pedagogias da Imagem convida para:

Ciclo (Im)permanências:
Vulnerabilidade

19/6 – Auditório Manoel Maurício – CFCH (Campus Praia Vermelha, UFRJ). De 9h às 18h.

As mudanças climáticas são hoje um problema que mobiliza diversas áreas da pesquisa científica, um signo da imbricação entre cultura(s), políticas e ciências. O Ciclo (Im)permanências: vulnerabilidade, promovido pelo projeto Pedagogias da Imagem, surge com o objetivo de ativar formas outras de abordar articulações entre as ciências e as artes, a educação e as humanidades, bem como os desdobramentos do presente para a divulgação científica e cultural frente às mudanças climáticas.

Por meio dos trânsitos nomádicos entre áreas do conhecimento diversas – como a climatologia, as ciências sociais, a saúde, as artes, a filosofia e a educação -, busca-se a proliferação de diálogos que permitam entrever as composições éticas, políticas e afetivas de modos de existência e produções de conhecimento atravessados por um horizonte comum, pelos anseios e pela alegria da construção deste comum.

Com uma programação de filmes e mesas de conferências, o ciclo será voltado à circulação de ideias interdisciplinares, propiciando um espaço de reflexão e discussão que explicite a relevância das pesquisas para uma ressignificação de sentidos sobre nossa relação com o mundo e o ambiente.

Realização

SECULT – Setor de Cultura, Comunicação e Divulgação Científica e Cultural
Faculdade de Educação da UFRJ
Projeto INCT-Mudanças Climáticas Fase 2
Rede Divulgação Científica e Mudanças Climáticas

Apoio

Decania do Centro de Filosofia e Ciências Humanas
Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental

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Diálogos entre artes, humanidades e mudanças climáticas.

Programação:

Dia 19/6 – Matinê Pedagogias da Imagem

MANHÃ

9h – Filme: Espólio da Terra (Land Grabbing – Áustria, 2015, 91′), de Kurt Langbein.

10h40 – Mesa I

A (in)finitude e o clima: o papel humano
– Paulo Nobre (INPE)
Doutor em Meteorologia pela University of Maryland (1993) e pós-doutorado pela Columbia University (1999).Em 2017, recebeu o título de Hídrógrafo Honorário, concedido pela Diretoria de Hidrografia e Navegação – DHN da Marinha do Brasil. Atualmente é pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), responsável pelo Grupo de Modelagem Acoplada Oceano-Atmosfera do CPTEC e Coordenador do desenvolvimento do Modelo Brasileiro do Sistema Terrestre – BESM

Em meio a catástrofe, abre-se um mar: medidas, mudanças climáticas e divulgação científica
– Susana Dias
Doutora em Educação pela Faculdade de Educação da Unicamp.
Pesquisadora do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp (Labjor), professora do curso de Mestrado em Divulgação Científica e Cultural do Labjor-IEL-Unicamp e editora da revista ClimaCom.

Territórios Sensíveis: A potência da Arte em tempos de urgência
– Walmeri Ribeiro
Doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Professora do Departamento de Artes e Estudos Culturais/UFF, Pesquisadora do Laboratório de Pesquisa em Performance, Mídia Arte e Questões ambientais – BrisaLAB.

TARDE

14h – Filme: Água Mole Pedra Dura (Brasil, 2017, 68′), de James Robert Lloyd & Flavia Angelico.

15h20 – Mesa II

Vulnerabilidade da População à Mudança do Clima
– Diana Marinho (PMAGS/DCB/ENSP/Fiocruz)
Formada em Serviço Social pela Universidade Regional da Paraíba, com mestrado em Engenharia Cartográfica pelo IME, Pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz. Inicialmente atuava com pesquisas de saúde de populações indígenas e desde 2000 atua com pesquisas na área de mudanças climáticas e saúde, com o foco na vulnerabilidade da população.

Antropoceno: rastros, revoluções e narrativas
-Sarah Almeida (CAp-UFRJ)
Professora de Geografia do Colégio de Aplicação da UFRJ e doutoranda em Geografia pelo PPGG/UFRJ. Desenvolve pesquisa e extensão sobre Antropoceno, Vulnerabilidade, (In)Justiça Ambiental e Ensino de Geografia Física. É membro do Grupo de Estudos do Quaternário e Tecnógeno (NEQUAT) do IGEO/UFRJ

Lama, topografia, assentamentos e escalas de resistência
– Cinthia Mendonça (Instituto de Artes/UERJ e Silo – Arte e Latitude Rural)
Artista e pesquisadora. Atualmente cursa o doutorado em Processos Artísticos Contemporâneos na UERJ e atua na Silo – Arte e Latitude Rural, uma organização que se dedica a produzir arte, ciência e tecnologia em zonas rurais e unidades de conservação ambiental por meio de experiências imersivas e práticas transdisciplinares como laboratórios de experimentação e residências artísticas.

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Sobre as palestras:

A (in)finitude e o clima: o papel humano
– Paulo Nobre (INPE)
Labutando num sistema de recursos finitos, a Terra, o autoproclamado homo-sapiens age cotidiana e grupalmente como se o ar, a água… o tempo e o espaço fossem infinitos. Nesta conversa, o climatologista Paulo Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE apresenta reflexões sobre tal suposição, como elas se relacionam com as mudanças climáticas globais, o quê o gênero humano tem haver com tudo isto! Se pudéssemos nos enviar uma carta do futuro… o quê nos aconselharíamos fazer no presente? ”

Em meio a catástrofe, abre-se um mar: medidas, mudanças climáticas e divulgação científica
– Susana Dias (Labjor/Unicamp)
A comunicação das mudanças climáticas vive seu limite. Criar um corpo para este problema é a busca desta apresentação. Algo que só pode ser feito com a problematização do que pode a escrita em meio à gramática e regimes perceptivos dominantes em que o humano é obsessivamente colocado como justa medida de todas as coisas. Para criar este combate e convocar as potências de uma escrita-limite, lidarei com uma entrevista com um modelador climático que produzimos para a Revista ClimaCom, que foi editada com a série de imagens “Marmetria”, da artista Fernanda Pestana. Exercitando a possibilidade de experimentar o mar como material de encontro entre ciências, artes e filosofias, reserva de multiplicidades, conexões e mistérios infinitos, para inundar as configurações dominantes do humano na divulgação das mudanças climáticas e proliferar vida nas medidas e políticas comunicantes.

Territórios Sensíveis: A potência da Arte em tempos de urgência
– Walmeri Ribeiro (Artes/UFF)
Território Sensíveis é um projeto em Artes que reúne artistas-pesquisadores e cientistas para que, juntamente com comunidades locais, possamos investigar e propor novas formas de pensar, imaginar e viver na sociedade contemporânea, diante das catástrofes e mudanças ocasionadas pelas mudanças climáticas.
Atuando em territórios específicos e acreditando que a arte, com sua capacidade de sensibilização e sua força micropolítica, pode desestabilizar os pensamentos convencionais sobre nossas relações com e na natureza, nos reaproximando da biosfera, e ainda, que as mudanças avassaladoras, que estamos enfrentando cotidianamente, gerará uma recriação contínua dos modos de vida, o projeto envolve experiências colaborativas de pesquisa-criação em arte, tecnologia e ciência. Nossas ações são contínuas, sendo desenvolvidas em diferentes territórios no Brasil, com o intuito de alimentar a discussão e a sensibilização das pessoas para as consequências das mudanças climáticas em nosso dia-a-dia, assim como a força e a importância de ações micropolíticas individuais e coletivas. A partir dessas ações, alimentamos publicações, exposições de arte, colaborações, redes e novos projetos.

Mapa de vulnerabilidades, saúde e sociedade
– Diana Marinho (PMAGS/DCB/ENSP/Fiocruz)
Apresentação dos resultados do estudo realizado em seis estados, que teve como unidade de análise os municípios. Buscou-se calcular a vulnerabilidade da população dos respectivos municípios diante da mudança do clima. Para tal, se calculou o índice ‘vulnerabilidade’ tomando como base a exposição, a sensibilidade e a capacidade adaptativa de cada município, e contou-se com o suporte do SisVuClima.

Antropoceno: rastros, revoluções e narrativas
-Sarah Almeida (CAp-UFRJ)
Desejamos traçar um debate sobre as narrativas que sustentam o Antropoceno e os diversos olhares voltados para as interações entre sociedades e natureza. As desigualdades ambientais, de gênero, de classe e raciais interferem diretamente nos impactos deste novo tempo. Quais são os rastros que a nossa existência deixa no planeta? Um outro mundo é possível?

Lama, topografia, assentamentos e escalas de resistência.
– Cinthia Mendonça (Instituto de Artes/UERJ e Silo – Arte e Latitude Rural)
Uma fala da artista a partir de um relato sobre a experiência com o programa “Resiliência: Residência Artística”.

Sessão de junho do cineclube Pedagogias da Imagem

Pedagogias da Imagem – cineclube da Faculdade de Educação da UFRJ.

Dia 18/6/2019, às 17h.

Exibição do filme: ‘Os catadores e eu’ (Les glaneurs et la glaneuse, 2000), de Agnès Varda.

Seguido de palestra:

Cinema, Mesopolítica e Antropoceno – experimentos em ecologias de práticas e afetos vitais com Agnès Varda

com
Susana Oliveira Dias
Doutora em Educação pela Faculdade de Educação da Unicamp. Pesquisadora do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp (Labjor), professora do curso de Mestrado em Divulgação Científica e Cultural do Labjor-IEL-Unicamp e editora da revista ClimaCom.

Nesta conversa buscaremos seguir e desdobrar as possibilidades lançadas pelo filme ‘Os catadores e eu’, de Agnès Varda, para se pensar as relações entre os humanos e a terra, entre o cinema e a política. Especialmente interessa a atenção que o filme dá aos gestos, o modo como abre uma escuta para os materiais e como se torna sensível aos encontros, diante do abandono, do desperdício, da vergonha e da catástrofe. Dando a sentir o cinema como um meio vivo de experimentação de ecologias de práticas e afetos, um meio de insistência na proliferação de novos modos de existir por entre coisas-seres-mundos.

Local: Auditório Manoel Maurício de Albuquerque, prédio do CFCH (próximo ao Cópia Café).
Campus da Praia Vermelha
Av. Pasteur, 250 – Urca
Horário: 17h
(capacidade de 100 lugares).

Pedagogias da Imagem é um projeto coordenado pelo SeCult – Setor de Cultura, Comunicação e Divulgação Científica e Cultural da Faculdade de Educação da UFRJ, vinculado ao programa CINEAD – Cinema para Aprender e Desaprender. O projeto privilegia a relação entre cinema e pensamento, procurando instigar o público a refletir, com os filmes, sobre questões que eles suscitam e reverberam.

Entrada franca.

Contato e agendamento de grupos: pedagogiasdaimagem@gmail.com

Chamada para o V Seminário do EDF


EXPERIMENTAÇÕES: RESISTÊNCIA E EDUCAÇÃO NO OLHO DO FURACÃO

Datas: 10, 11, 12/09/2019

Propostas por e-mail de 15/04 até 02/07

E-mail: seminarioedf2019.ufrj@gmail.com

Proposta

Toda pesquisa é um processo de experimentação através do qual buscamos criar novos conhecimentos acerca dos temas e questões que nos concernem e nos constituem. A palavra experiência mobiliza assim uma acepção ambígua, relacionando-se tanto à trajetória do especialista como à situação-limite, situação de perigo daquele que desconhece, que ignora.

Em nota para seu livro “Poesia como experiência”, Philipe Lacoue-Labarthe se utiliza da análise etmomlógica encetada por Roger Munier para observar que:

“Experiência vem do latim experiri, testar, tentar, provar. O radical é periri, que também pode ser encontrado em periculum, risco, perigo. A raiz indo-europeia é per, a qual está ligada às ideias de ‘travessia’ e, em segundo plano, de prova, teste. (…) A ideia de experiência como ‘travessia’ é etmologicamente e semanticamente difícil de separar da ideia de ‘risco’. Em seus primórdios e em um sentido fundamental, ‘experiência’ quer dizer expor-se ao ‘perigo’.” (Roger Munier, maio de 1972, apud Philipe Lacoue-Labarthe, Poetry as Experience, 1986 [1999]).

Sendo a Universidade o local por excelência da pesquisa, pensamos que seria conveniente lançar essa temática: a pesquisa como proposta de experiência, pesquisa como experimentação, como utilização dos saberes adquiridos, mas também como uma exposição ao perigo, o retorno a um estado de não-saber, de curiosidade, que é a base de desassossego que anima toda construção de conhecimento.

Notamos também que no termo “experimentações” encontra-se a palavra “ações”, que diz respeito ao sentido mais agudo da palavra resistência. Deste modo, ao explorar o caráter experimental próprio à educação, visa-se aqui a promoção de resistências múltiplas e criativas contra as formas de empobrecimento da vida. Assim também, por que não repensarmos as formas de avaliação? Repensar o uso de conceitos como os de fracasso escolar, aluno fraco, repetente, indisciplina, entre outros, que estigmatizam aqueles que não se encaixam nos padrões sociais hegemônicos.

As resistências aparecem com o sentido de invenção e experimentação de novos conceitos, práticas, novos espaços, outras formas de relação professor e estudante nas quais outros recortes e configurações de conhecimento possam ser explorados. Experimentações: os fazeres artísticos em todas as suas expressões, os estudos ambientais, estudos do corpo, os embates da política e o que eles podem nos oferecer tanto do ponto de vista individual como em comunidade.

O que está em causa quando falamos de pesquisa como experimentação e resistência é a questão da universidade como espaço de liberdade. Para Tim Ingold (2018), a liberdade “como qualquer outra tarefa, tem que ser executada. A liberdade é executada, na academia, nas atividades de ensino, pesquisa e estudo, e exemplificada na relação dos acadêmicos com os seus pares, com os estudantes e com a sociedade em geral. É sempre work in progress; nunca podemos desistir dela e assumir que esteja ganha.”

No V seminário do EDF, nos propomos pensar o presente da Universidade através das experimentações e invenções em curso nas pesquisas que fazemos. Algumas questões guiam a nossa proposta: que pesquisas/experimentações estamos desenvolvendo? O que está em causa nessas pesquisas? Como elas se relacionam com a ideia da Universidade como espaço de liberdade e resistência? Que riscos enfrentamos? Que práticas devemos preservar ou inventar? O que queremos reivindicar e como podemos nos organizar?

Comissão organizadora:

Andreza Berti
Bernardo Oliveira
Reuber Scofano
Teresa Gonçalves
Thiago Fortes Ribas

XIV Semana de Educação

A XIV Semana de Educação da UFRJ tem a intenção de convidar a comunidade para discussões sobre a educação da América Latina até as salas de aulas do Rio de Janeiro.
➡ PROGRAMAÇÃO
➡ ​A Semana de Educação 2019 tem por objetivo articular diversas atividades acadêmicas e culturais desenvolvidas pela Organização Estudantil. A educação em espaços formais e não formais de educação, juntamente com a pauta política vigente no país, constituirá o núcleo central do evento, visto representar, na formação de professores, o principal elo entre o ensino, a pesquisa e a extensão.​

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