Formação dialógica é tema da abertura da Semana de Integração da Pedagogia

Texto: Coryntho Baldez

Foto: Coryntho Baldez

As teorias e políticas educacionais funcionam em sala de aula? Em muitos casos, há uma defasagem entre diretrizes e métodos oficialmente recomendados e as práticas educacionais adotadas pelos professores da rede pública.

A análise foi feita pela professora titular da Faculdade de Educação (FE) Ludmila Thomé de Andrade, na aula inaugural Por uma Perspectiva Dialógica da Formação de Professores, que abriu a Semana de Integração da Pedagogia, ontem (19/8) pela manhã, no auditório Manoel Maurício, na Praia Vermelha.

A pesquisadora afirmou que os professores precisam dizer e defender o que fazem em sala de aula. E questionar, sem medo, a inadequação de políticas educacionais abstratas e distantes da realidade dos alunos.

Silvina Julia Fernández e a palestrante Ludmila Thomé de Andrade. Foto: Coryntho Baldez

 

“Os professores devem se tornar autores”

Ludmila contou que, na Inglaterra, uma pesquisadora estranhou o êxito do método fônico de alfabetização relatado por professores públicos em um estudo acadêmico e decidiu investigar os seus resultados em sala de aula. E constatou que os professores, na verdade, iam muito além da orientação oficial no processo de alfabetização dos alunos.

“Eles usavam música e literatura em seu trabalho, por exemplo, ultrapassando as limitações do método fônico, mas não mencionaram isso quando foram ouvidos para a pesquisa”, frisou. Assim como na Inglaterra, o método fônico vem sendo crescentemente adotado no Brasil.

Para superar essa discrepância entre as normas de ensino e as práticas reais dentro de sala de aula, Ludmila aponta que os professores devem se perceber como detentores de saberes profissionais e produzir conhecimento sobre o processo educacional. “Eles devem se tornar autores, mas o problema é como fazer isso”, questionou.

Valorizar os saberes docentes é essencial

Um dos primeiros passos para fazer da escola pública um lugar de produção teórica será valorizar, cada vez mais, os saberes docentes, entre os quais a formação inicial, a indução profissional – orientação nos primeiros anos da atividade docente – e a formação continuada, destacou a professora da FE.

“Não dá para achar que é suficiente fazer uma licenciatura para dar aulas. As crianças e jovens mudam, as escolas mudam e as políticas mudam”, observou.

Mas, nesse processo contínuo de formação, Ludmila alertou para o uso descabido de termos pejorativos, como reciclagem e competências.

“Os professores não são lixo para serem reciclados e transformados em outra espécie de ‘material’ e muito menos incompetentes para adquirirem novas competências”, completou.

Semana vai até dia 23

Na abertura, a vice-coordenadora do curso de Pedagogia da FE, professora Silvina Julia Fernández, disse que a Semana é um espaço transversal de acolhimento de novos estudantes e de troca acadêmica.

Em novo formato, o evento contou com mais duas aulas inaugurais no primeiro dia: O Curso de Pedagogia e a Formação de Professores: Entre Tensões e Perspectivas, com a professora Giseli Barreto da Cruz; e Complexo de Formação de Professores da UFRJ, com a diretora da FE, Carmen Gabriel.

Organizado pelo Núcleo de Planejamento Pedagógico (NPPL) da Pedagogia, a Semana vai até sexta-feira (23/8) e conta com debates, rodas de conversas, atividades culturais e oficinas. Veja a programação completa.