Cartografia traça as múltiplas rotas da formação de professores

Texto: Coryntho Baldez

Foto: Pixabay

Soymara Vieira, professora da 1ª série do ensino fundamental na Escola Nossa Senhora da Penha, em Niterói, participou, em 2017, do projeto de pesquisa e extensão Conversas entre professorxs: alteridades e singularidades (ConPAS), criado há 10 anos por professoras do Colégio de Aplicação (CAp) da UFRJ.

Após colaborar como autora de um artigo para o livro “Narrativas: Histórias da/na escola” – uma ação do projeto –, ela deu o comovente depoimento que transcrevemos abaixo.

“Ter minha experiência registrada em livro me empodera. É como se houvesse, enfim, o reconhecimento de que professores da educação básica produzem conhecimento (…) Eu amei o livro. Para a filha de açougueiros da cidade mais pobre da baixada fluminense, foi um sonho realizado poder apresentar para minha mãe: – Olha aqui, mãe! O meu nome no livro!”. Continue lendo Cartografia traça as múltiplas rotas da formação de professores

V Seminário do EDF

EXPERIMENTAÇÕES: RESISTÊNCIA E EDUCAÇÃO NO OLHO DO FURACÃO

Proposta

Toda pesquisa é um processo de experimentação através do qual buscamos criar novos conhecimentos acerca dos temas e questões que nos concernem e nos constituem. A palavra experiência mobiliza assim uma acepção ambígua, relacionando-se tanto à trajetória do especialista como à situação-limite, situação de perigo daquele que desconhece, que ignora.

Em nota para seu livro “Poesia como experiência”, Philipe Lacoue-Labarthe se utiliza da análise etmomlógica encetada por Roger Munier para observar que:

“Experiência vem do latim experiri, testar, tentar, provar. O radical é periri, que também pode ser encontrado em periculum, risco, perigo. A raiz indo-europeia é per, a qual está ligada às ideias de ‘travessia’ e, em segundo plano, de prova, teste. (…) A ideia de experiência como ‘travessia’ é etmologicamente e semanticamente difícil de separar da ideia de ‘risco’. Em seus primórdios e em um sentido fundamental, ‘experiência’ quer dizer expor-se ao ‘perigo’.” (Roger Munier, maio de 1972, apud Philipe Lacoue-Labarthe, Poetry as Experience, 1986 [1999]).

Sendo a Universidade o local por excelência da pesquisa, pensamos que seria conveniente lançar essa temática: a pesquisa como proposta de experiência, pesquisa como experimentação, como utilização dos saberes adquiridos, mas também como uma exposição ao perigo, o retorno a um estado de não-saber, de curiosidade, que é a base de desassossego que anima toda construção de conhecimento.

Notamos também que no termo “experimentações” encontra-se a palavra “ações”, que diz respeito ao sentido mais agudo da palavra resistência. Deste modo, ao explorar o caráter experimental próprio à educação, visa-se aqui a promoção de resistências múltiplas e criativas contra as formas de empobrecimento da vida. Assim também, por que não repensarmos as formas de avaliação? Repensar o uso de conceitos como os de fracasso escolar, aluno fraco, repetente, indisciplina, entre outros, que estigmatizam aqueles que não se encaixam nos padrões sociais hegemônicos.

As resistências aparecem com o sentido de invenção e experimentação de novos conceitos, práticas, novos espaços, outras formas de relação professor e estudante nas quais outros recortes e configurações de conhecimento possam ser explorados. Experimentações: os fazeres artísticos em todas as suas expressões, os estudos ambientais, estudos do corpo, os embates da política e o que eles podem nos oferecer tanto do ponto de vista individual como em comunidade.

O que está em causa quando falamos de pesquisa como experimentação e resistência é a questão da universidade como espaço de liberdade. Para Tim Ingold (2018), a liberdade “como qualquer outra tarefa, tem que ser executada. A liberdade é executada, na academia, nas atividades de ensino, pesquisa e estudo, e exemplificada na relação dos acadêmicos com os seus pares, com os estudantes e com a sociedade em geral. É sempre work in progress; nunca podemos desistir dela e assumir que esteja ganha.”

No V seminário do EDF, nos propomos pensar o presente da Universidade através das experimentações e invenções em curso nas pesquisas que fazemos. Algumas questões guiam a nossa proposta: que pesquisas/experimentações estamos desenvolvendo? O que está em causa nessas pesquisas? Como elas se relacionam com a ideia da Universidade como espaço de liberdade e resistência? Que riscos enfrentamos? Que práticas devemos preservar ou inventar? O que queremos reivindicar e como podemos nos organizar?

A Comissão Organizadora do V Seminário EDF 2019 apresenta o blog do evento: https://seminarioedfufrj.home.blog/

Prorrogamos o prazo de envio dos resumos para 28/07.

Incluímos regras de submissão:

Resumo entre 4000 e 6000 caracteres.
Título, nome dx(s) autor(xs) e Instituição.
Fonte Times New Roman, espaçamento duplo.

Receberemos trabalhos completos para publicação nos anais do Seminário até 01/10/2019

EXPERIMENTAÇÕES: RESISTÊNCIA E EDUCAÇÃO NO OLHO DO FURACÃO

Datas: 10, 11, 12/09/2019

Propostas por e-mail de 15/04 até 28/07

E-mail: seminarioedf2019.ufrj@gmail.com

Cordialmente,

Comissão organizadora:
Alexandre Ferreira de Mendonça
Bernardo Oliveira
Máximo Masson
Reuber Scofano
Teresa Gonçalves
Thiago Fortes Ribas

Comissão organizadora:

Andreza Berti
Bernardo Oliveira
Reuber Scofano
Teresa Gonçalves
Thiago Fortes Ribas

I Caderno de Resumos da Semana de Educação da UFRJ é publicado

A Semana de Educação da UFRJ é um evento organizado pelo corpo discente da Pedagogia para os estudantes de todas as licenciaturas, e teve sua 14ª edição realizada entre os dias 27 e 31 de maio de 2019, no campus da Praia Vermelha da UFRJ. Desta forma, sob o tema de “Faz escuro e eu canto: da América Latina à sala de aula”, procuramos ressignificar palavras, dando a entender que escurecer nunca é uma situação ruim, e mostrando que há beleza na escuridão. Ao mesmo tempo, buscamos reforçar que o Brasil é parte dessa região cultural, ratificando nossa identidade como latino-americana. Por ter um caráter formativo diversificado, também buscamos fazer um evento em que não houvesse apenas palestras, mas também, oficinas, passeios, cine-debates, rodas de conversa, um brechó e apresentações de trabalhos. Cada dia da semana versou sobre um tema ou região geográfica, mas sempre abordando a educação. Sendo assim, buscamos sair do todo para a parte, ou seja, do mundo para a UFRJ.

Dentre as atividades que abordaram desde a ascensão e crise da educação no mundo até os currículos das licenciaturas e a saúde mental dos estudantes, tivemos, no dia 29, as apresentações de trabalhos que deram origem ao nosso primeiro Caderno de Resumos, um legado que essa comissão organizadora deixa para as próximas Semanas de Educação da UFRJ. Possuímos, nesta edição, vinte resumos expandidos, cujos temas abordados dissertam sobre as legislações educacionais, modalidades de ensino, avaliações externas, programas governamentais, etapas da educação formal e educação não-formal e sua articulação com as escolas.

Esperamos que gostem da leitura.

Leia o I Caderno de Resumos da Semana de Educação da UFRJ aqui.

Chamada para extensionistas – Podcast Faculdade de Educação

CHAMADA PARA EXTENSIONISTAS

Você ouve podcasts? Já conhece o Podcast da Faculdade de Educação da UFRJ?

As tecnologias de comunicação digitais estão cada vez mais convergentes e incorporadas ao cotidiano das pessoas. O nosso projeto se insere nessa dinâmica contemporânea ligada à expressão por meio do áudio, explorando seu potencial para o campo da educação, dos diálogos interdisciplinares e da divulgação científica e cultural.

O projeto envolve trabalho com áudio – gravação, edição, mixagem, locução -, e um fluxo de produção voltado à elaboração de editorias e pautas para séries de programas sobre temas variados, voltados às múltiplas dimensões da educação e sua relação com as artes, as ciências, a cultura e o pensamento.

Se você gosta de lidar com áudio, rádio e divulgação científica e cultural, pode ser uma ótima oportunidade para fazer parte da nossa equipe e potencializar nosso projeto, aberto a estudantes de todos os cursos de graduação, para creditação de horas de extensão.

Procuramos estudantes a partir do 4º período, com alguma experiência em edição/mixagem/captação de áudio e/ou interesse na elaboração de pautas e roteiros de programas.

Envie seu CV/portfólio até segunda-feira, 22/7, para o email secult@fe.ufrj.br, anexando também um texto apresentação (até no máximo 500 palavras), informando também seu curso e período. Atenção: necessário haver disponibilidade para 4 horas semanais (distribuídas ao longo da semana), pela manhã.

Venha fazer parte deste projeto e intensificar a podosfera universitária. Local das atividades: Faculdade de Educação da UFRJ, 2º andar do Palácio Universitário.

Trabalho precário e professor tarefeiro, uma realidade que impõe nova formação docente

Ilustração: Zop
Texto: Coryntho Baldez

À parte metodologias que, para os críticos, mascaram a realidade, os números oficiais atestam: superar o trabalho precário dos professores da educação básica no Brasil será uma tarefa árdua. O rendimento médio dos profissionais graduados da rede pública, por exemplo, é de R$ 3.823,00, ou seja, 31% menor do que o salário médio – de R$ 5.477,05 – de outras categorias com curso superior, segundo a pesquisa Pnad Contínua 2018, divulgada em junho pelo IBGE. Continue lendo Trabalho precário e professor tarefeiro, uma realidade que impõe nova formação docente

Clare Brooks ministra conferência na Faculdade de Educação

Na última segunda-feira (08/07), a professora Clare Brooks, da University College London, ministrou a conferência Seria possível uma visão global da educação geográfica? na Faculdade de Educação da UFRJ.

Este evento foi uma realização conjunta do Seminário Anísio Teixeira do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da UFRJ e do Seminário Geografia & Educação do Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFRJ, que trouxeram a professora Clare Brooks ao Rio de Janeiro buscando aprofundar o debate sobre a Educação Geográfica e estreitar laços de cooperação.

Confira aqui o registro da conferência.