Chamada para o V Seminário do EDF


EXPERIMENTAÇÕES: RESISTÊNCIA E EDUCAÇÃO NO OLHO DO FURACÃO

Datas: 10, 11, 12/09/2019

Propostas por e-mail de 15/04 até 02/07

E-mail: seminarioedf2019.ufrj@gmail.com

Proposta

Toda pesquisa é um processo de experimentação através do qual buscamos criar novos conhecimentos acerca dos temas e questões que nos concernem e nos constituem. A palavra experiência mobiliza assim uma acepção ambígua, relacionando-se tanto à trajetória do especialista como à situação-limite, situação de perigo daquele que desconhece, que ignora.

Em nota para seu livro “Poesia como experiência”, Philipe Lacoue-Labarthe se utiliza da análise etmomlógica encetada por Roger Munier para observar que:

“Experiência vem do latim experiri, testar, tentar, provar. O radical é periri, que também pode ser encontrado em periculum, risco, perigo. A raiz indo-europeia é per, a qual está ligada às ideias de ‘travessia’ e, em segundo plano, de prova, teste. (…) A ideia de experiência como ‘travessia’ é etmologicamente e semanticamente difícil de separar da ideia de ‘risco’. Em seus primórdios e em um sentido fundamental, ‘experiência’ quer dizer expor-se ao ‘perigo’.” (Roger Munier, maio de 1972, apud Philipe Lacoue-Labarthe, Poetry as Experience, 1986 [1999]).

Sendo a Universidade o local por excelência da pesquisa, pensamos que seria conveniente lançar essa temática: a pesquisa como proposta de experiência, pesquisa como experimentação, como utilização dos saberes adquiridos, mas também como uma exposição ao perigo, o retorno a um estado de não-saber, de curiosidade, que é a base de desassossego que anima toda construção de conhecimento.

Notamos também que no termo “experimentações” encontra-se a palavra “ações”, que diz respeito ao sentido mais agudo da palavra resistência. Deste modo, ao explorar o caráter experimental próprio à educação, visa-se aqui a promoção de resistências múltiplas e criativas contra as formas de empobrecimento da vida. Assim também, por que não repensarmos as formas de avaliação? Repensar o uso de conceitos como os de fracasso escolar, aluno fraco, repetente, indisciplina, entre outros, que estigmatizam aqueles que não se encaixam nos padrões sociais hegemônicos.

As resistências aparecem com o sentido de invenção e experimentação de novos conceitos, práticas, novos espaços, outras formas de relação professor e estudante nas quais outros recortes e configurações de conhecimento possam ser explorados. Experimentações: os fazeres artísticos em todas as suas expressões, os estudos ambientais, estudos do corpo, os embates da política e o que eles podem nos oferecer tanto do ponto de vista individual como em comunidade.

O que está em causa quando falamos de pesquisa como experimentação e resistência é a questão da universidade como espaço de liberdade. Para Tim Ingold (2018), a liberdade “como qualquer outra tarefa, tem que ser executada. A liberdade é executada, na academia, nas atividades de ensino, pesquisa e estudo, e exemplificada na relação dos acadêmicos com os seus pares, com os estudantes e com a sociedade em geral. É sempre work in progress; nunca podemos desistir dela e assumir que esteja ganha.”

No V seminário do EDF, nos propomos pensar o presente da Universidade através das experimentações e invenções em curso nas pesquisas que fazemos. Algumas questões guiam a nossa proposta: que pesquisas/experimentações estamos desenvolvendo? O que está em causa nessas pesquisas? Como elas se relacionam com a ideia da Universidade como espaço de liberdade e resistência? Que riscos enfrentamos? Que práticas devemos preservar ou inventar? O que queremos reivindicar e como podemos nos organizar?

Comissão organizadora:

Andreza Berti
Bernardo Oliveira
Reuber Scofano
Teresa Gonçalves
Thiago Fortes Ribas